quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje descobri...

... que há geógrafos que escrevem best-sellers sobre a bondade humana. Eu sabia que a Geografia tinha o dom de conseguir meter o bedelho em quase tudo o que é assunto, porque (quase) tudo faz parte do funcionamento deste planeta, mas pensava que os assuntos espirituais eram uma das excepções. Felizmente enganei-me. Obrigada Yi-Fu Tuan, pela tua visão abrangente e conciliadora.  

"By encouraging people to play at being good, manners may make people actually good; at least, such play, sincere or not, will make society itself more genial, more civilized" (18).
 "A test of sainthood is whether the person was widely and deeply loved. That seems to me even more convincing than an enumeration of good deeds, which can all be performed for mixed motives. ... But perhaps the most convincing test of whether a person is truly good is this. In his or her presence, does one feel oneself a better and more intelligent human being?" (180-1).

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Faz hoje dois anos...

... que estou aqui, neste cantinho de Itália à beira do lago plantado. Dois anos de pizza, pasta e peixe de lago (pouco). De língua italiana falada com as mãos, condução (perigosa) à italiana e escândalos de Berlusconi. De responsabilidade profissional e recompensas merecidas. De banhos no lago, praias de relva e explorações de canoa. De Tai-Chi e danças latinas. De visita a lugares míticos como Verona, Veneza, Génova e Roma. De passagens fronteiriças para a Suiça. De esqui, escalada (tentativa) e montanhismo. De aperitivos e mozzarella. De visitas rápidas a Milão e de viagens de bicicleta para o trabalho. De flocos de neve e trovoadas de Verão.
Dois anos de pessoas a chegar e a partir, de saudades lusitanas e de decisões diárias solitárias. Dois anos de experiências culturais novas todas as semanas. Dois anos de vida marcados por um crescimento pessoal e profissional irrepetível. Até pode parecer, a quem nunca saiu do seu próprio cantinho, que dois anos não é nada. Talvez até não seja para quem fica no sítio que sempre conheceu. Mas quem segue outros ventos e se depara com problemas que noutro contexto seriam meros acontecimentos rotineiros, aprende todos os dias como melhorar a forma de lidar com eles e, mais importante, aprende a conhecer-se e a gerir as suas próprias reacções nas situações mais caricatas e a adaptar-se à mudança sem grandes mazelas. E, claro, aprende mais um bocadinho do mundo a cada dia que passa.