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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Às vezes vem às 6,
outras vezes vem às 6h30 e outras ainda perto das 7h. Não há horário certo para os comboios que passam por Ispra carregando mercadorias para e da Suíça. Muitas das pessoas que trabalham no JRC, como eu, precisam de passar pela linha de comboio para ir para casa. De vez em quando somos obrigados a esperar quase meia-hora porque o guarda da estação decide fechar a cancela 20 minutos antes do comboio vir (sabe-se lá porquê). Hoje foi um desses dias. Uma fila interminável de carros esperava pela cancela aberta e nós ciclistas, à chapa do sol, aglomerámo-nos mesmo em frente aos carris prontos a escapar logo que possível. Alguns perderam a paciência e passaram com a cancela fechada. Quando esta abriu, quase meia-hora e algumas asneiras depois, um enxame de veículos de duas rodas passou velozmente, tal a impaciência que nos atingia. Eu acho que o guarda gosta de se rir às gargalhadas com a nossa figura, especados em frente à cancela; é um teste à nossa paciência ou simplesmente para nos aborrecer, a nós estrangeiros coloridos que ocupamos grande parte da sua vila. Haja paciência, porque justificação para tanta demora não consigo encontrar.
terça-feira, 15 de março de 2011
Quando começa a chover em Ispra
não pára durante dias. Daquela chuva miudinha que aborrece, que não deixa nenhuma abertura para os raios de sol. Dias seguidos de céu cinzento, casaco grosso impermeável e estradas inundadas. Vendo as coisas pelo lado positivo, quando começa a chover por esta altura do ano é sinal de que a Primavera está a chegar. E pelo menos as 9h da manhã já marcam 8º em vez dos -4º de há duas semanas atrás. Não sei se este pensamento para uma portuguesa cujo organismo funciona a energia solar será assim tão positivo a longo prazo, mas dá para lidar com a escuridão destes dias.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Bella Ispra!
O fim-de-semana foi cheio de emoções. Na 6ª feira à noite fomos dançar salsa para um bar escondido por trás do supermercado onde costumo ir. No bar estavam pessoas de todas as idades e vi miúdos e graúdos a dançar espectacularmente. Um menino de não mais de 12 anos a mexer-se como ninguém, casais de 50 anos a dar piruetas, jovens vestidos à "dread" a dançar com movimentos elegantes... fiquei fascinada! Nunca tinha visto tantos homens a dançar salsa tão bem! Sim, porque em Portugal ou eu nunca fui aos lugares certos, ou os homens portugueses não gostam de mostrar os seus dotes de dançarinos em público...




Sábado fui ver uma casa em Ranco, uma vila aqui perto, apenas para perceber a relação qualidade/preço. A vista sobre o lago era espectacular, mas não o suficiente para compensar o resto da casa...
Depois foi hora de apperitivo, uma tradição a que já me habituei. Antes do almoço ou do jantar, juntamo-nos num café a beber cerveja, sumo, cocktail... no preço da bebida estão incluidos uns acepipes, bastante diferentes do que costumamos ter em Portugal: pepino, tomate ou cenoura com maionese, uns folhados, às vezes até feijão ou esparguete com ovo, dependendo do local. Ah, e os amendoins não se tiram com a mão, tiram-se com uma colher antes de se porem na mão...
Domingo foi dedicado à exploração de Ispra, por uns cantinhos até então desconhecidos. Uma agradável surpresa que guardo para a posteridade.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Visita a Varese
Ontem de manhã a chuva continuava a cair. Eu e a Chiara saimos de casa à procura de transporte para chegar a Varese, a cidade grande (cerca de 100 mil habitantes) mais próxima daqui, a cerca de 20 km. A caminho do centro de Ispra, parámos num supermercado e comprámos um utensílio crucial para a nossa sobrevivência aqui: um pequeno "ombrello" (chapéu-de-chuva) cuja primeira utilização constituiu um momento de grande felicidade para ambas, depois de quase uma semana a sofrer com a intempérie.
O centro de Varese é feito de ruas estreitas construidas com paralelos e outro material de tom acastanhado, gasto pelo tempo. De ambos os lados das ruas, incluindo na parte mais moderna da cidade, aglomeram-se lojas de estilos diversos. A primeira loja onde entrámos foi uma sapataria, à procura das botas para a neve que infelizmente não nos serviam. As lojas fecham duas horas para almoço, normalmente entre as 13h30 e as 15h30, por isso esperámos pela reabertura comendo uma lasanha e uma tarte de fruta fresca numa pequena galeria comercial. Ao final da tarde, depois de umas passeatas pela cidade, trouxe para casa um aparelho telefónico, uma varinha mágica (sinto falta da sopa), uma colher de pau (utensilio indispensavel na minha cozinha) e só não trouxe um cartão SIM italiano porque aqui exigem um cartão de identidade com fotografia para registar o número, o qual eu esqueci em casa.
O jantar foi em Angera, uma pequena vila a 10 km de distância de Ispra, com uma bela marginal à beira do lago com vista sobre Arona (uma vila na outra margem). Pedi uma pizza com ananás (porque gosto) e a Chiara e o Biagio ralharam comigo porque é uma pizza de estilo americano, não italiano. O final da noite foi passada no meu pequeno apartamento, a ver um filme no meu pc português e a beber café fraco feito à minha maneira (aqui bebem montanhas de café).
Hoje esteve um lindo dia de sol, que começou com uma corrida pela mata que envolve a minha residência. O almoço foi cozinhado pelo napolitano do prédio e começou com um prato de massa... claro! e terminou com um café fortissimo acompanhado de "panforti", um doce típico de Siena feito com frutos e muito açúcar. Um verdadeiro manjar ;)
O centro de Varese é feito de ruas estreitas construidas com paralelos e outro material de tom acastanhado, gasto pelo tempo. De ambos os lados das ruas, incluindo na parte mais moderna da cidade, aglomeram-se lojas de estilos diversos. A primeira loja onde entrámos foi uma sapataria, à procura das botas para a neve que infelizmente não nos serviam. As lojas fecham duas horas para almoço, normalmente entre as 13h30 e as 15h30, por isso esperámos pela reabertura comendo uma lasanha e uma tarte de fruta fresca numa pequena galeria comercial. Ao final da tarde, depois de umas passeatas pela cidade, trouxe para casa um aparelho telefónico, uma varinha mágica (sinto falta da sopa), uma colher de pau (utensilio indispensavel na minha cozinha) e só não trouxe um cartão SIM italiano porque aqui exigem um cartão de identidade com fotografia para registar o número, o qual eu esqueci em casa.
O jantar foi em Angera, uma pequena vila a 10 km de distância de Ispra, com uma bela marginal à beira do lago com vista sobre Arona (uma vila na outra margem). Pedi uma pizza com ananás (porque gosto) e a Chiara e o Biagio ralharam comigo porque é uma pizza de estilo americano, não italiano. O final da noite foi passada no meu pequeno apartamento, a ver um filme no meu pc português e a beber café fraco feito à minha maneira (aqui bebem montanhas de café).
Hoje esteve um lindo dia de sol, que começou com uma corrida pela mata que envolve a minha residência. O almoço foi cozinhado pelo napolitano do prédio e começou com um prato de massa... claro! e terminou com um café fortissimo acompanhado de "panforti", um doce típico de Siena feito com frutos e muito açúcar. Um verdadeiro manjar ;)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
1 de Fevereiro 2009. Cheguei!…
… a Ispra, com 0ºC e um manto de neve a cobrir a maior parte do chão. O táxi do JRC esperava-me à hora marcada no aeroporto, levando-me direitinha a casa, um apartamento espaçoso (no meu ponto de vista) só para mim. O armário de roupa permaneceu quase vazio, mesmo depois de ter arrumado toda a bagagem (aquela que a TAP me obrigou a pagar por excesso de peso). A brancura luminosa das paredes e do chão lembra-me que esta casa será minha temporariamente, mas por enquanto basta-me saber que é o meu cantinho. Outros cantinhos como este me rodeiam, ocupados por colegas do centro que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Aliás, conheci um, já desde Dezembro quando vim cá a primeira vez. A Chiara (leia-se Kiara), uma siciliana vinda de Londres, ofereceu-se para ficar com a minha chave para eu poder entrar nesta minha casinha ainda hoje. Jantámos juntas, o que pudemos trazer connosco do país de origem e do avião: waffles aquecidas no forno da casa dela, uma sandes da British Airways (bem melhor que as da TAP, por sinal), biscoitos tipicamente italianos com panne e cioccollato, biscoitos com travo a limão da loja da Irene na Batalha, água da torneira… tudo isto regado com uma boa conversa para conhecimento mútuo que fluiu naturalmente. Uma bela duma jantarada, no verdadeiro sentido do termo. Um primeiro dia inesquecível, não só por esta chegada mas também, e principalmente, pela minha partida acompanhada pelo núcleo duro da minha vida: os meus pais, os meus irmãos e a minha irmã. E uma despedida presencial de uma grande amiga, a quem muito devo eu estar em terras italianas hoje. E as despedidas via telefone que fui recebendo, de amigos que não esqueço, esteja eu onde estiver. De uma maneira ou de outra, todos eles estão comigo, agora e em todas as outras peripécias que vierem a seguir.
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