quarta-feira, 25 de abril de 2012

Notícia do dia de ontem

Um licenciado em Cinema e Audiovisual recebeu uma proposta para um trabalho como Operador de Câmara. Como seria um trabalho muito gratificante para ele, tanto a nível pessoal como profissional, foi-lhe oferecido o pagamento não em dinheiro mas em produtos capilares.
O meu pensamento: só podem estar a brincar! Quem acha que isto é uma proposta de trabalho deve ter os neurónios todos de férias. Ou então gosta de ter escravos em redor. Ou acha que as pessoas que quer contratar – não ele – vivem só do ar. Ou então tem muitos produtos contra a seborreia em casa porque a sua mulher é cabeleireira e assim dava vazão aos caixotes de produtos que tem na arrecadação sem gastar mais nenhum tostão.
Nenhuma destas razões é válida para uma proposta de trabalho como esta. E não me venham dizer que a situação está má e que tem que ser assim para o país ir para a frente, que temos que nos sujeitar às condições (quais condições?) que nos oferecem. Assim o país não vai para a frente, não é preciso ter um curso em economia para o saber. O nosso tempo, o nosso conhecimento, a nossa experiência são elementos preciosos que têm que ser valorizados. Têm que ser pagos por um preço justo que compense o tempo que passamos longe da nossa família e a fazer o melhor que podemos o que outros nos pedem.
O licenciado anda agora nas ruas a sensibilizar para a falta de escrúpulos daqueles que se querem aproveitar do contexto de crise para se desviar do caminho da integridade de direitos profissionais. Eu estou com ele.

sábado, 21 de abril de 2012

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Estou no avião de regresso a Lisboa. Lá fora o sol espraia os seus raios cor de fogo por cima do manto de nuvens, flocos brancos amontoados sobre o Mar Mediterrâneo que o avião sobrevoa como uma águia vigilante. Hoje tenho direito a um pôr-do-sol prolongado, graças à hora de diferença entre a origem e o destino. Entretanto acabei de ler o livro francês que tinha trazido, este meu projecto concretizou-se graças à capacidade narrativa de Katherine Pancol e ao despertar daqueles meus neurónios que guardavam a sete-chaves o vocabulário de francês. Adoro quando um livro me faz desejar que o tempo não passe para poder continuar a ler! É preciso ter talento para cativar e esta história fascinou-me. Mais do que isso, a força e veracidade das personagens inspiraram-me a olhar melhor para as pessoas que tenho em redor, e principalmente para mim mesma.

Não quero estragar a surpresa de quem quer ler o livro, mas posso dizer que a história fala de pessoas que podiam ser reais, de França e Inglaterra, e de crocodilos de olhos amarelos. Fala de dinheiro, de relações decadentes, de fragilidades humanas, das futilidades de um estatuto social elevado, de mudanças difíceis. Mas também fala de coragem, de sonhos, de esperança, da força que vem do amor, do valor do trabalho árduo. Fala dos escolhos e das recompensas que a vida nos dá em qualquer fase da vida e da possibilidade que temos em dançar com ela, com a vida, em vez de a tentarmos impedir de seguir o seu ritmo. Recomendo.