Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Não gosto desta constante sensação de insatisfação

que me persegue em alturas de entrevistas de trabalho. Têm sido algumas ultimamente. O que é bom, é muito bom. Saber que o mercado está aberto para mim e que as minhas qualidades e experiência têm valor. Receber a confirmação de que somos "shortlisted" e seleccionados para a entrevista dá-me aquela sensação de dever cumprido e recambia a frustração para outro lado. Depois vem a entrevista, onde sou confrontada com um painel de 3 (ou mais) pessoas que me perguntam uma variedade de coisas: o que faço agora, como foi o meu percurso profissional, motivação para concorrer àquele trabalho, como prioritizo as tarefas, como faço a gestão do meu tempo, como lido com conflitos... e perguntas mais técnicas sobre recolha e análise de dados, software que conheço, escrita científica, networking.
 
Depois de todas estas perguntas, eles ficam a saber muito superficialmente o que sou capaz de fazer, não consigo explicar em meia-hora todas as minhas capacidades pessoais e profissionais (ninguém consegue). Mas pelo menos ficam a saber o meu nível de inglês e a minha capacidade de responder a perguntas relativamente difíceis. Nalguns casos, nem me ficam a conhecer, porque a entrevista foi feita por skype ou telefone. Das 3 entrevistas que fiz, só uma foi presencial e fui obrigada a ir a Inglaterra em plena época de Jogos Olímpicos. Se não fosse a Chiara e o Gianluca estarem por lá e ter passado uns dias com eles, não teria ido à entrevista porque o preço da viagem era exorbitante. Mas fui. Saí da sala com a nítida sensação que a entrevista não tinha corrido bem e que me tinha espalhado ao comprido nas perguntas mais técnicas. Enganei-me. Recebi uma proposta de trabalho que, depois de muito pensar e de dias sem dormir, acabei por recusar. Outra oportunidade que me agrada mais entretanto apareceu.
 
Já fui a algumas entrevistas de trabalho. Desde que saí do ensino, já lá vão 8 anos, que me tenho aperfeiçoado nesta arte de ser entrevistada. Saio sempre da sala da entrevista com a sensação que não correu bem, com uma enorme insatisfação porque penso que não consegui demonstrar com eficácia o que sou capaz de fazer. O mais incrível é que, até agora, de todas as vezes que fui a uma entrevista acabei por ser seleccionada para o trabalho ou fui reencaminhada para uma posição semelhante dentro da mesma organização porque gostaram de mim. De todas as vezes deu frutos, que eu apanhei se quis. Talvez esta sensação de insatisfação seja dispensável, no fim de contas. Será que a minha capacidade de auto-crítica se baseia demasiado na desvalorização do meu trabalho e da minha capacidade de comunicação? Estará o "síndrome de patinho feio" dos tempos de adolescente ainda demasiado entranhado no meu pensamento ao ponto de afectar o julgamento que faço de mim própria?
 
Está na altura de reflectir seriamente sobre estas questões existenciais... não fosse o doutoramento que tenho que acabar e o trabalho de consultoria que tenho que cumprir e punha-me já a tratar disso. Assim, fica para uma outra vez... ou para uma próxima entrevista.