Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Histórias de vida dura

Chamemos-lhe Giovanni. Há algum tempo que vagueia pelas ruas de Milão e dorme na Estação Central de comboios, onde outros sem-abrigo se juntam. Não sabe explicar bem como foi ali parar, fala com inquietação da traição da mulher, do divórcio litigioso em que perdeu os dois apartamentos, da filha que anda supostamente pela estrada. É jardineiro de profissão mas na confusão da sua vida pessoal também perdeu o trabalho e com isso, o sustento. Ficou sozinho, miserável, mendigando pelas ruas de uma das cidades mais ricas da Europa do Sul. Perdeu a dignidade e a esperança e tenta suicidar-se diversas vezes, mas é salvo pela polícia.
Um dia, sem o conhecer pessoalmente, há alguém que se interessa pela sua vida, que acha que vale a pena tentar um pequeno gesto e envia um email aos seus contactos a dizer que um jardineiro andava à procura de trabalho. Palavra puxa palavra e sabe-se então que uma empresa de viveiros andava mesmo a precisar de mais um par de mãos. Giovanni é chamado e começa a recuperar a sua vida. Hoje tem um tecto, um trabalho e a sua dignidade de volta. Quando Giovanni conheceu por acaso o rapaz que enviou o email que abriu um novo rumo à sua vida, disse-lhe: "Um dia, quando voltar a ser homem, convido-te para jantar". Hoje foi o dia. E o meu amigo Mauro, o tal rapaz que enviou o email, está neste momento em Milão a celebrar o resultado do seu gesto de bondade. E eu cheia de orgulho e de alegria pela sorte que tenho em encontrar pessoas como ele no meu caminho.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Este fim-de-semana foi

Perugia


camaradagem, festa, conversas disparatadas até de madrugada... dança grega e tarantela, cantar o Malhão depois da meia-noite, o som do acordeão vindo de Portugal... os últimos a sair da festa, como de costume, depois de acabarmos o limoncello. Foi cocktails de prosecco com sumo de fruta entre conversas em 3 linguas diferentes, passeios pela cidade etrusca e a descoberta frustrante de que em Itália também há maus gelados. Noites de lua cheia passadas num Agriturismo bucólico onde os donos recebem cães abandonados. Convívios em família com vista sobre a cidade onde o Verão se prolonga, o à-vontade entre amigos e as gargalhadas genuínas de quem gosta de estar naquela companhia. Este fim-de-semana foi de visita rápida às cores da Toscânia e à terra do vinho Montepulciano, numa viagem programada para celebrar o amor sem fronteiras e onde se aprendeu também a amizade sem nacionalidade.   

Paisagem Toscana, em Montepulciano



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Uma vida cheia

Saí da festa a flutuar, com a tranquilidade de saber que não estou sozinha no que sinto e no que vivo. A vida tem-me sido generosa, de facto. Tenho uma vida emocionante rodeada de pessoas fantásticas, incluindo as que estão fisicamente longe. Com algumas delas partilhamos um bocadinho mais de nós mesmos e depois... vemo-las partir sem saber quando as vamos reencontrar, mas com a certeza de que quando isso acontecer será uma alegria imensa para ambos. Pensava nisto enquanto me dirigia para o carro à saída da festa de despedida do italiano mais "figo" que conheço (tradução: bonito e simpático). Como ele tantos outros se preparam para partir, e eu não estou assim tão longe. No carro ouço "I wish you were here" dos Pink Floyd e vens-me automaticamente à cabeça; penso em como te enganaste a ler-me, como percebeste mal a minha forma de reagir e como escapaste quando te sentiste confuso em vez de estares comigo e dar-nos a possibilidade de pensarmos juntos. Vou cantarolando a música e reparo que já não sinto tanto a tua falta. Não quero sentir, porque tenho pessoas a ir embora com quem quero aproveitar estes doces momentos sem sentir a tua sombra.

Nos últimos dias tenho-me dedicado a actualizar o meu CV e a descrever em detalhe as minhas tarefas, responsabilidades e as minhas maiores realizações. É um trabalho habitualmente aborrecido, mas tem-me ajudado a relembrar todas as coisas que fiz, que aprendi e que vivi nos últimos anos. Demasiada informação para um potencial empregador, mas uma dádiva de confiança e harmonia para mim. Sim, tenho algumas histórias giras para contar, cada uma delas gravada na minha personalidade e talentos (skills, melhor dizendo). Esta combinação de eventos - a celebração do fim de uma experiência temporária mas intensa e a chatice necessária da procura de emprego - acabaram por me fazer voltar a acreditar que tenho, e continuarei a ter, uma vida fantástica, mesmo sem ti.