Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Andar de comboio na Índia...


... é muito atribulado, mas é também rápido e eficiente. Em Bombaim, há comboios de 3 em 3 minutos e uma viagem em 2ª classe do norte para o sul da cidade custava, em 2006, 9 rupias, o equivalente a 20 cêntimos.
O problema são as pessoas… demasiadas pessoas. Há tantas pessoas a utilizar os comboios que estes não têm porta… para quê, se elas não se conseguiriam fechar? E assim, sem portas, sempre vem uma corrente de ar para ajudar as ventoinhas penduradas no tecto das carruagens a refrescar os passageiros.
Há carruagens só para mulheres e outras para homens, herança dos britânicos, para evitar os potenciais abusos que podem ocorrer quando as pessoas têm que andar ensalsichadas umas nas outras; as mulheres têm a opção de ir nas carruagens dos homens, o que geralmente acontece quando as mulheres estão acompanhadas por membros do sexo masculino. As carruagens dos homens estão sempre cheias… são mais de 7 milhões de pessoas a utilizar aquele transporte todos os dias- os indianos não têm fim-de-semana – e a diferença entre as horas de ponta e as restantes horas é a quantidade de homens que se agarram uns aos outros na entrada das carruagens quando os rebordos das portas já não são suficientes para todas as mãos… eles vão literalmente encavalitados uns nos outros e cabe sempre mais um passageiro, quando parece não caber nem sequer mais uma mosca.. Só numa sociedade com imensos problemas económicos e sociais como a indiana é que se percebe o elevado nível de solidariedade que eles possuem… quando não cabem dentro das carruagens, seguem viagem em cima do comboio, descontraidamente.

Se entrarmos na estação inicial do percurso, pode ser que tenhamos a sorte de encontrar um lugar num dos bancos de madeira corridos que existem em relativa abundância nas carruagens. Quando parece que o banco está lotado, surge uma pessoa mais que toca no ombro de quem está sentado na ponta do banco e este, automaticamente, chega-se um bocadinho para o lado e aperta os restantes passageiros sentados no banco… afinal cabia mais um, ou mais dois, ou…
Ir em pé pode ser melhor ou pior consoante o lugar em que ficamos; quando conseguimos ficar em pé entre os bancos sofremos um pouco menos, enquanto que no corredor é sufocante e os empurrões sucedem-se. Eu aproveitava para admirar os cartazes coloridos que revestiam as paredes já sem tinta, para me abstrair dos solavancos constantes a que estava sujeita.

A saída do comboio é o pior de tudo. 3 paragens antes da nossa começa a preparação: levantamo-nos do banco ou saímos do local onde viajámos em pé e começamos a abrir caminho em direcção à porta… nem a abertura de caminho à catanada na floresta tropical é tão difícil! Os ombros são uma peça fundamental para afastar as outras pessoas do caminho e quando chegamos à nossa paragem está uma multidão de indianos impacientes por entrar no comboio, daqueles que não esperam que os outros saiam. “Como é que raio eu vou sair daqui?”, pensava eu… aos empurrões, está claro, sem mais demoras ou corria o risco de ficar dentro do comboio… bem, uma das vezes tive que ser puxada pelo meu colega ou teria mesmo seguido caminho…
Apesar de todas as peripécias, ou melhor, graças a elas, andar de comboio em Bombaim é uma aventura a não perder… e porque não aproveitar para comprar um snack enquanto nos tentamos segurar apenas com uma mão? Este é o verdadeiro espírito indiano que só se consegue experimentar se andarmos nos comboios em 2ª classe.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Como correu o teu dia 13?

Não gostei…

De comida fria quando devia estar quente

Que percebessem mal as minhas intenções e que isso tenha causado mal-entendidos dolorosos

De perturbações na circulação do metro e de ter esperado 20 minutos dentro da carruagem com um calor insuportável (mesmo no Inverno)

Gostei…

De respostas positivas às minhas questões

De elogios inesperados

De fazer surpresas

De telefonemas amigáveis

Do céu azul em dia de Inverno

sábado, 3 de janeiro de 2009

Gosto de ler…

… histórias que me façam pensar. Gosto quando, subitamente, no meio da trama do romance ou da narrativa, surge uma frase pequena que afirma muita verdade, daquelas que exprimem o que todos nós vivemos sem que nos apercebamos da sua força.
Gosto de ler Saramago, mesmo sendo difícil e com as regras de pontuação viradas ao contrário. Estas frases, pequenas jóias literárias que encerram realidades universais, comprovam a minha admiração por este escritor. Aqui vão alguns exemplos:

“Dando tempo ao tempo, todas as coisas do universo acabarão por se encaixar umas nas outras”

“A vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginámos silêncios, e súbitos regressos quando pensámos que não voltaríamos a encontrar-nos”

“Com as boas ideias, e às vezes também com as más, passa-se o mesmo que se passava com os átomos de Demócrito ou com as cerejas da cesta, vêm enganchadas umas nas outras”

“A dura experiência da vida tem-nos mostrado que não é aconselhável confiar demasiado na natureza humana, em geral”

“Acostumados como estamos a colocar os baixos interesses materiais acima dos autênticos valores espirituais”

“Não há dúvida de que as melhores lições nos vêm sempre da gente simples”

“Somos, cada vez mais, os defeitos que temos, não as qualidades”

In “A viagem do elefante”

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Resoluções de Ano Novo

Nunca fui boa a cumprir resoluções de Ano Novo. Tenho sempre notado que a boa vontade e a coragem dos primeiros dias do ano não são suficientes para o resto do ano. Também nunca me preocupei com isso, porque estas divisões oficiais dos anos não têm afectado o rumo da minha vida, com excepção dos aumentos e das novidades legislativas da praxe. No entanto, esta alteração do ano civil, para além de me lembrar que caminho a passos largos para a próxima década da minha existência, surge como uma passagem para desafios que já sei que me esperam: alguns desafios novos que abraço com entusiasmo, outros desafios pré-existentes que continuam a exigir a minha atenção. A única resolução que sei que posso cumprir é continuar a aprender a viver, com um sorriso nos lábios e imensa vontade de crescer enquanto pessoa.

Bom Ano 2009 para todos!