Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Quando o que vemos é tudo o que existe

deixamos de ter perspectiva. Quando ficamos demasiado tempo no mesmo sítio ou fazemos durante muito tempo as coisas da mesma maneira, começamos a acreditar que aquilo que vemos - que não é muito, é o mundo inteiro. E quando pensamos que o mundo não vai além dos confins da nossa própria bolha, perdemos a capacidade de relativizar. Assumimos que os nossos problemas são os piores que existem, verdadeiras tragédias que nos impedem de tomar atenção às situações dos outros e às soluções que nos oferecem.
Por isso é fundamental sair. Ver, experimentar, sentir. Rebentar a bolha que nos limita e criar outra, uma que abarca mais mundo e que nos deixa ver mais longe, ao mesmo tempo sólida e transparente.  Por isso viajar é tão bom, para tocar outras perspectivas e saborear outras visões da vida. Não é preciso ir ao outro lado do mundo, nem sequer apanhar um avião. Às vezes basta calcorrear o caminho de sempre com a mente aberta aos pormenores, chegar ao sítio do costume por um percurso diverso, olhar aquela pessoa que nos acompanha todos os dias com a curiosidade de uma criança. E as tragédias que nos atormentam acabam por encolher para a sua devida dimensão.
 
"Aquilo que vemos todos os dias transforma-se aos poucos em tudo o que conseguimos imaginar e, já se sabe, aquilo que conseguimos imaginar é tudo o que existe. Se aquilo que nos rodeia é tudo o que existe, os nossos problemas passam a ser os maiores que existem, não importa a real proporção da sua importância. O nosso mundo passa a ser o mundo inteiro (...) Por isso faz tanta falta ir."
 
José Luís Peixoto, VM Fevereiro 2013