Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O espírito "Leve leve"


é uma das características mais evidentes de São Tomé e Príncipe. "Devagar, devagarinho", explicaram-me logo os são-tomenses que me abordaram no aeroporto. Em São Tomé reina a tranquilidade, apesar dos problemas estruturais do país. Um dos países mais pequenos do mundo, com cerca de 160 mil habitantes em menos de 1000 km2 divididos por ilhas, São Tomé beneficia de uma localização privilegiada mesmo à beirinha do Equador. Por isso, pelo clima e pela geologia, a terra é fértil, a floresta densa e as praias extensas, luminosas e bordejadas de coqueiros. Os são-tomenses são extremamente gentis e educados, muito hospitaleiros. Há até quem diga que os são-tomenses são uma espécie de portugueses mais exagerados, para o bem e para o mal: mais hospitaleiros e mais simpaticos, mas também mais formais e mais "deixa andar". Os são-tomenses adoram o seu país, chamam-lhe o paraíso no centro do mundo. E têm razões para isso. São Tomé é África, exuberante e colorida, naturalmente rica e humanamente desigual. E ao mesmo tempo com uma pitada (grande) da cultura portuguesa, na comida, na arquitectura, na maneira de agir. Uma experiência muito enriquecedora e inesquecível.

Marcas da presença portuguesa na cidade de São Tomé


A cidade de São Tomé tem estradas e edifícios razoavelmente cuidados, uma marginal longa e limpa, alguns cafés engraçados, como o Avenida, o Papa-figo e o Passante, a padaria Moderna com croissants quentinhos, restaurantes no Parque Popular onde servem feijão à moda da terra e frango assado, acompanhado de música ao vivo (Kizomba, claro!). Tem mercados caóticos, Hiaces amarelas como táxis e motoqueiros (ou mota-táxi). Tem 2 ou 3 hotéis de alto gabarito explorados maioritariamente pelo Grupo Pestana e uma fábrica de chocolate propriedade de um agrónomo italiano - Claudio Corallo, cujo cacau proveniente da sua plantação em Príncipe é transformado em chocolate gourmet exportado para lojas específicas na Europa, como o El Corte Ingles.


Saindo da cidade, o panorama muda. Barracos de madeira construídos sobre estacas concentram-se à beira das estradas esburacadas, onde correm crianças quase nuas, porcos e galinhas por entre bananeiras. Roupas coloridas são estendidas ao sol, trazidas à cabeça pelas mulheres depois da lavagem nos rios. As antigas plantações de cacau - as Roças, revelam uma atmosfera de abandono e de sobrevivência escassa, entre obras de importância arquitectónica e histórica (hospitais e senzalas).

 
Na Roça de Água Izé. O antigo hospital, um projecto arquitectónico de valor ao abandono


As praias são naturalmente bonitas, de águas cristalinas e ouriços-do-mar nas rochas, mas recentemente despojadas de areia que serve para a construção. Na floresta equatorial prolifera a temida cobra negra, de mordidela mortal. Nada que impeca os mais corajosos de as apanharem (apetrechados de botas de borracha e catana) para aproveitar a sua banha para medicamentos para o reumatismo. A caminho recolhem o sumo de palma, que em poucas horas se transforma em bebida extremamente alcoolica.


Na cascata de Bombaim

Na Roça de Bombaim

Praia de rocha em Água Izé

Boca do Inferno

Pico do Cão Grande, uma intrusão de fonolito, rocha muito resistente, numa chaminé vulcânica de basalto, mais vulnerável à erosão. O basalto desaparece e o fonolito mantêm-se, imponente. As palmeiras que bordejavam o pico foram recentemente cortadas. 


No Ilhéu das Rolas, onde passa a linha do Equador

No centro do mundo, com um pé em cada hemisfério. O pé direito no Sul, para dar sorte.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Istambul, a união entre dois continentes

e de muitas culturas diferentes. Istambul é uma cidade que vibra de energia e que recebe de braços abertos quem se quer deixar arrebatar pelo frenesim do ecumenismo. Como muitas outras cidades, Istambul transborda de movimento, de pessoas, de carros e, neste caso, também de barcos. Os transportes públicos e as infra-estruturas de apoio são modernos e eficientes. Lojas de marca internacional ladeiam as ruas principais de Taksim, a parte nova da cidade no lado europeu, enquanto os bares mais típicos se concentram numa espécie de "Bairro alto" de grandes dimensões, com ruas estreitas atulhadas de mesas, cadeiras e de gente. Estas características urbanas tornam-se únicas quando juntamos a mistura de faces asiáticas e europeias que define a diversidade do povo turco. Uma mescla impressionante de olhos rasgados, faces redondas, peles claras e escuras, muitas vezes timidamente escondidas pelos véus muçulmanos que ainda proliferam na cidade. De facto, apesar desta mistura de gentes e culturas, a cidade é muçulmana. A partir da Torre de Galata vêem-se as inúmeras mesquitas sobranceiras aos prédios residenciais, com os minaretes estendidos para o céu e as orações que ecoam pela cidade cinco vezes ao dia. Não se encontra carne de porco em nenhum restaurante, o que, no fim de contas, não desvaloriza em nada a sua gastronomia, principalmente as deliciosas baklavas e os kebap.

As tulipas no Palácio Topkapi

 
Hagia Sofia a partir da Mesquita Azul, a sala principal e os azulejos cristãos

  O ritual de lavagem dos pés antes da entrada na mesquita.

 
A Mesquita Azul, o nome deriva dos azulejos azuis que a decoram por dentro

 Baklavas, yummy!

Para além da atmosfera urbana, plena de vitalidade, gostei muito das tulipas que habitam todos os canteiros da cidade. Gostei da imponência e dos pormenores arquitectónicos dos monumentos, desde o Palácio de Topkapi à Hagia Sofia e à Mesquita Azul, passando pelas pequenas mesquitas de esquina, onde se respira tranquilidade mesmo quando não se é religioso. E gostei muito dos mercados de rua, onde as cores e os cheiros das especiarias nos inebriam enquanto avançamos devagarinho entre a multidão. Não gostei tanto do Grand Bazaar, formatado para o turista-padrão disposto a pagar balúrdios mesmo quando é enganado na origem e na qualidade dos produtos. Apesar de eu ser relativamente hábil na arte de regatear, não tenho paciência quando os vendedores são rudes e aparecem com cara de quem nos está a fazer um grande favor. Prefiro vaguear pelos mercados de rua, sempre apinhados, onde conseguiria perfeitamente passar despercebida se me vestisse como muçulmana devota. E passear pela cidade, perfeitamente segura mesmo de noite, atravessando a ponte de Galata sobre o Bósforo enquanto os locais pescam calmamente.

  
 A Ponte de Galata que une a parte velha e a parte nova do lado europeu da cidade, atravessando o Golden Horn. A pesca é uma actividade muito popular nesta ponte.

O bazar egípcio ou das especiarias, mais pequeno e mais acolhedor que o Grand Bazaar

 
A passagem do estreito do Bósforo para o Mar Negro, visto da terra e do ar