Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

No centro da Europa



 À saída do aeroporto sinto o ar frio a chegar à pele. A estação de metro está em obras, parece estreita, velha e suja e nenhuma escada rolante funciona. Nem parece que estamos no centro da Europa, mesmo em frente ao edifício principal da Comissão Europeia: Schuman.

Passei o fim-de-semana em Bruxelas, a cidade que acolhe provavelmente mais nacionalidades do que qualquer outra no mundo. Nas ruas ouve-se falar italiano, turco, polaco, espanhol e aqui existe também o bairro português onde se comem pastéis de nata. Esta multiculturalidade é um dos encantos de Bruxelas, para além dos acessos fáceis aos países limítrofes. Mas mesmo assim não me impressiona. Fria e cinzenta, Bruxelas parece receber-nos com um esgar de desdém, como se a mistura de gentes nos afastasse do sentimento de pertença que nos preenche quando chegamos a um lugar acolhedor. Não, não utilizaria este adjectivo para Bruxelas. Talvez dinâmico, frenético, transitório. Como se todos estivessem aqui de passagem.
Apesar desta minha pouca estima por Bruxelas, agudizada pelo frio gelado, pela neve e pela desorganização dos transportes públicos neste fim-de-semana específico, posso dizer que passei uns bons dias. Não tanto pelos monumentos que visitei, pelos “gauffres” com chocolate que provei ou pelas cervejas belgas que bebi. Isso também foi bom, mas o melhor foram as pessoas que me esperaram à saída daquela estação de metro escura de Schuman e me mostraram o caminho para casa. Numa cidade com uma atmosfera distante e desligada como esta, os amigos são a âncora que nos segura. Não interessa o tempo que não nos vemos nem de onde vimos; o grupo de “expatriados” (no bom sentido do termo) que se juntou em Bruxelas para jantar no Domingo, conheceu-se inicialmente em Itália e vira-se pela última vez em Lisboa. Como o mundo parece um lugar pequeno quando facilita os reencontros! E assim um fim-de-semana improvisado por uma entrevista aborrecida de trabalho transforma-se num reavivar de laços sociais, de tardes passadas à conversa, de comida caseira e de waffles com nutella partilhadas ao som de músicas de Natal, algures na Grand Place de Bruxelas.
Gauffres (waffles) a sorrir para os passantes
Luzes de Natal na rua em frente à Bolsa
A fantástica iluminação dos monumentos junto à Grand Place