Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

sábado, 4 de outubro de 2014

Rendi-me ao feitiço


Recebi o feitiço de braços abertos. Desfolhei a última página do livro de Miguel Real e, tal como as personagens do livro, representantes de uma linhagem histórica de portugueses na Índia, também eu me enfeiticei, pelo livro e pela Índia. Do livro, foi de certeza pela escrita ágil e ritmada de Miguel, pela quebra das regras gramaticais que representa tão bem a vida vivida num fôlego, como acontece naquele país, pelo retrato dos fragmentos da Idade dos Descobrimentos e do tempo de Salazar, das perseguições da Inquisição em ambos os cantos do mundo, pelo vislumbre inteligente dos paradoxos da cultura indiana e das contradições mesquinhas da portuguesa, por incitar o meu desejo de não parar de ler e por estimular a vontade de regressar a esse país que seduz. Da Índia, pelas cores dos saris esvoaçantes, o brilho das peles curtidas pelo sol, os cheiros da miséria misturados com as especiarias, os sabores quentes da comida variada, o sorriso fácil em cabeças meneantes, as peles macias amendoadas, pela atitude submissiva de quem sabe desde sempre que o destino está traçado. 
E o meu destino foi, desde sempre, conhecer a Índia. Pelos livros, pelas viagens e pelas pessoas. 


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