Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A beleza das coisas frágeis



A história começa pelo fim. O fim de uma vida. A morte da personagem “pai” desencadeia o reencontro familiar entre os irmãos e a mãe, almas separadas por mágoas, por más decisões, pela solidão e por mal-entendidos. Uma família ganesa-nigeriana emigrada nos EUA a quem faltam as raízes e a compreensão do seu próprio passado, e que, apesar de todas as tentativas da família, este passado intromete-se descaradamente nas suas vidas e nas suas escolhas.

A morte inesperada do pai obriga-os a enfrentar a fragilidade das suas próprias vidas, enquanto indivíduos e enquanto família, refletida na falta de confiança, nas doenças psicológicas, no incumprimento de expectativas e, essencialmente, na falta de comunicação entre pessoas que cresceram juntas e que, sem perceberem bem porquê, foram forçadas (ou escolheram) a abandonar-se. Até ao novo reencontro, de pessoas, de mágoas e de muitas palavras por dizer, na beleza de sentir e de pensar enquanto  ser humano. 

Taiye escreve de forma dinâmica e vívida; a história cresce a um ritmo tão intenso que quase me deixava sem fôlego, como se uma multidão me estivesse a empurrar para o fim da estrada. À medida que me agarrava ao fio condutor da história desta família e queria saber mais, os segredos eram desvendados às camadas, sem pressa, imitando o próprio ritmo incontrolável da vida humana. Uma boa companhia para os finais do dia. 

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