Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Bucuresti

Na passada quinta-feira fui para Milão ao fim da tarde, com o intuito de apanhar o avião para Bucareste (Roménia) na manhã seguinte. Alguns amigos de Lisboa iriam estar lá para uma conferência e a pouca distância e a o preço razoável da viagem convenceram-me a ir ter com eles. Nessa noite, saí para jantar com uns amigos e durante o jantar todos me perguntavam: “Mas o que raio vais fazer a Bucareste? Não é um sítio bonito, os romenos não são boas pessoas…”. Uma questão de oportunidade, acho eu. Preciso de ir aos sítios para ter a minha própria percepção e experiência, e mesmo que não seja a melhor, é sempre válida. Lá na Roménia descobri que os ciganos, etnia muitas vezes responsável pela criação de preconceitos em relação aos romenos, e apesar de corresponderem a cerca de metade da população, vivem em locais específicos no seu próprio mundo, em bairros normalmente fechados aos restantes romenos.

Depois do jantar, recebo uma mensagem da Alitalia, a companhia aérea que decidi experimentar pela primeira vez porque tinha a melhor relação horas/preço. Tinha até à noite anterior, quando decidiu cancelar o meu voo e transferir-me para um voo mais tarde. Passei a manhã de sexta-feira em Milão, onde descobri a Chinatown e o Parco Sempione.


Piazza del Carmine, Milão

Castello Sforzeseo (Cairoli), Milão

Parco Sempione, Milão

Anões no Parco Sempione


Chinatown

Chego a Bucareste às 6h da tarde, sigo as dicas da minha vizinha romena e apanho o autocarro para o centro, de onde vi o sol a pôr-se sobre os pomares cheios de árvores em flor, stands de Mercedes e Jaguares e de onde começo a perceber a estrutura da cidade. A estrada é larga e com bom pavimento, como noutra cidade da Europa com estradas estimadas. Saio do autocarro na Piata Universitate e avisto o majestoso Teatro Nacional e os edifícios antigos (do tempo do comunismo) da Universidade na penumbra do anoitecer. Uma boa surpresa para começar a viagem. Apanho depois o metro para ir ter com os meus amigos e descubro que o sistema de metro é tão bom como o de Lisboa, com mais linhas e carruagens graffitadas numa linha específica que segue para a Faculdade de Geografia. Confirmo também que a língua é muito parecida com o português, tem base latina e é relativamente fácil de perceber escrita.

Chego à zona sul da cidade, numa área facilmente acessível mas aparentemente mais negligenciada, onde descubro outra coisa: cães abandonados nas ruas de Bucareste, muitos, normalmente pacíficos mas com eventuais ataques de fúria aos humanos, como acabaremos por experienciar mais tarde.
No dia seguinte é dia de conferência e sigo com os restantes para a zona ocidental da cidade, bem menos cuidada que o centro e com pequenas lojas para todos os gostos de ambos os lados da estrada. À primeira vista, lembrei-me de algumas ruas de Mumbai, onde o negócio prolifera à beira da estrada, um pouco menos sujo e com menos gente, claro. No caminho de regresso da Universidade, depois de um almoço ligeiro, caminhamos calmamente em direcção ao metro quando ouvimos um grito no grupo que seguia atrás: Catalina, uma estudante romena que nos acompanhava, fora mordida por um dos muitos cães que andavam por ali, sem razão aparente e sem aviso prévio. Resultado: uma ida à farmácia para desinfecção, uma viagem de metro preocupante a ver a perna a inchar e a Catalina a adormecer e uma ida ao hospital para duas injecções (onde só foi a Catalina e uma amiga, enquanto nós fomos visitar um Museu). Segundo os locais, cerca de 100 pessoas por semana são mordidas por cães em Bucareste, um problema que resultou da política de Chauzescu de desalojar famílias para destruir os seus prédios e construir outros mais vistosos, deixando os cães dessas famílias ao abandono nas ruas da cidade.

No centro da cidade, como na Piata Victoriei ou na Piata Romana, vi outro cenário: ruas largas, limpas e floridas, um parque agradável, edifícios sumptuosos onde o governo se aloja e os museus habitam, prédios altos e modernos, carros de alta cilindrada… não pude ver tanto quanto queria porque a Alitalia alterou também o meu voo de regresso e fez-me voar mais cedo do que o esperado (agora percebo porque está na bancarrota, nenhum italiano confia nesta companhia aérea), mas aquilo que vi deixou-me bastante satisfeita… por agora. Talvez um dia volte para visitar o resto de Bucareste e o castelo de Bran, do famoso Conde Drácula, agora com entrada vedada ao público desde que foi comprado por um privado (alienação de património nacional por razões financeiras... sem comentários).

O edifício do governo, Piata Victoriei

O Museu de Geologia

O Museu de Arte Antiga

3 comentários:

  1. Uma viagem curta mas com bastantes descobertas e encantos. Para mim foi uma agradável surpresa. E gostei muito que tivésses ido lá para convivermos, ainda que por poucas horas.
    Beijo grande
    bruno

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  2. Quando é que me convidas para umas aventuras assim? Deve ter sido máginfico.
    Bj

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  3. encantado de conocerte
    mi blog

    www.festeroilicitano.blogspot.com

    saludos

    España

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