Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

terça-feira, 6 de março de 2012

O regresso

Estou em Portugal há pouco mais de duas semanas. Em meados de Fevereiro, peguei em 3 anos de vida, arrumei-os em caixotes e mudei de casa e de país. A viagem de regresso foi tranquila, com passagens breves e animadas por Nice, Toulouse e Burgos, até então locais desconhecidos. Em boa companhia. Vir de carro foi bom, o tempo que demorámos a percorrer 2200 km ajudou-me a desligar-me da vida anterior e a meter na cabeça que há novos desafios a exigir a minha atenção. Talvez por isso estas duas semanas me tenham parecido dois meses e sinto a vida em Itália já tão distante. É certo que o regresso a casa dos pais, as conversas em família à lareira, as brincadeiras com a Mikas (que também fez parte da vida em Itália) ajudaram a esta rápida integração num tipo de vida a que já não estava acostumada. Mas também as filas de espera nos serviços públicos e a burocracia obrigatória que tive que tratar me preencheram o tempo. Demasiado. Tanto que quando hoje me pediram mais um documento eu reagi com uma cara de desesperada... não gosto da burocracia, de ter que voltar aos mesmos sítios, esperar pacientemente e depois explicar mais três vezes a minha situação enquanto reparo na cara de desinteresse dos funcionários. Emigrar não é fácil, mas regressar a Portugal também não. Os documentos emitidos pela Comissão Europeia que dizem exactamente o que é necessário não servem para nada. É preciso dar trabalho às entidades portuguesas. Às vezes nem sinto que fazemos parte de uma organização maior.

Apesar disto, este regresso está a ser menos doloroso do que os outros (já lá vão 3). Custam-me as saudades dos meus amigos de Ispra, da família que lá criei. Mas não me custa tanto deixar o sítio nem o trabalho, que tem continuidade. Parece que há medida que envelheço absorvo melhor os efeitos destas mudanças de vida. Fico pronta mais rápido para os projectos novos que hei-de criar. Será que é um bocadinho da sabedoria de vida que se está a formar em mim?

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