Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

domingo, 3 de outubro de 2010

Norte e Sul

Em Itália, os regionalismos têm um peso enorme. Para o Norte, os habitantes do Sul são simplórios, iletrados, sujos e chamam-se “Terrone”. Para o Sul, os do Norte são os “Polentone” e são sérios, ricos e muito pouco divertidos, praticamente suíços ou austríacos. Os preconceitos e estereótipos continuam a fazer parte do dia-a-dia. É verdade que no sul o clima é mais quente e agreste e os horários são, também por isso, diferentes. Enquanto que no Norte começar a trabalhar às 8h da manhã e ter uma pausa para almoço de máximo 1 hora é normal, no sul antes das 9h é impensável começar a trabalhar e a pausa para almoço é pelo menos de 2 horas. Também é verdade que o Sul é mais pobre e que há muitos migrantes no Norte, mais rico, com mais indústria e mais emprego, melhores infra-estruturas e mais financiamento público visível. Infelizmente estas diferenças e a grande vaga de migração para o Norte começam a trazer consequências perigosas, como o apoio cada vez maior ao partido de extrema direita “Lega Nord”, que pretende a separação entre o Norte e o Sul e o recambiamento de todos os (i)migrantes.
Foi com estes preconceitos em mente que o protagonista do filme “Benvenuti al Sud”, que vi ontem, partiu para uma vila na zona de Nápoles, vestido com um colete à prova de balas e munido da inspiração nortenha de eficiência e seriedade. Depois de algumas peripécias de partir o coco o rir, no final o protagonista descobre que pode ver o pôr-do-sol sobre o mar (em Milão isso não existe), o gosto pelas inúmeras pausas para café, o prazer da comida, a amizade e a boa-vontade de pessoas simples que o ajudam sem pedir contrapartidas. Uma verdadeira lição de vida que ficou no coração do protagonista e da sua família. E para mim uma oportunidade para confirmar que são estas pequenas diferenças que tornam cada sítio único e especial e que só conseguimos apreciar com uma mente aberta e limpa de preconceitos.

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