Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A primeira janela para o mundo

Há alguns dias atrás recebi uma mensagem de uma amiga que ia a caminho da Holanda, que ela designou de forma certeira como a nossa “primeira janela para o mundo”. A Holanda foi o primeiro país estrangeiro que realmente conheci e onde a semente de exploradora/viajante começou a germinar.
Aos 16 anos, participei no Jamboree Mundial para pioneiros, realizado em Dronten, Flevoland. Mas esta aventura de duas semanas não conta porque estávamos num “país” à parte, criado para nós, escuteiros de todo o mundo. Do país Holanda propriamente dito lembro-me de muito pouco dessa altura (lembro-me sim da cerimónia de abertura, do pórtico de caravela que construímos, do slide sobre o rio, do meu namorado americano e do urso de peluche que ele me ofereceu, baptizado de Pedro por uma colega da Costa Rica, dos fogo-conselho internacionais, do hino “I’m from the future” que ressoou nas nossas guitarras e vozes durante os anos seguintes e da choradeira em frente ao autocarro na hora de regressar).
Conheci bem melhor o país Holanda durante os 7 meses que lá vivi enquanto estudante Erasmus. No dia em que eu e a minha amiga lá chegámos sentimos desde a excitação ao desespero. Era final de Agosto do ano 2000 e estava um calor abrasador em Portugal; em Utrecht, a cidade para onde nos mudámos, também estava calor; fomos directamente para os serviços internacionais onde a minha amiga tinha que ir buscar a chave do seu quarto, mas mandaram-nos aos correios para pagar a renda primeiro. Deixámos as bagagens nos serviços e seguimos para os correios onde tratámos do pagamento, mas a nossa (má) orientação no caminho de regresso levou-nos pelo caminho mais longo e quando finalmente chegámos de novo aos serviços, depois de uma molha descomunal – o calor transformou-se em chuva - e de passarmos em frente ao edifício em U invertido que a minha amiga achou horrível, afirmando convictamente que não gostaria de morar ali, “batemos com o nariz na porta”, com as nossas bagagens e a chave de casa da minha amiga fechadas lá dentro. Estávamos num país estranho, perdidas, sem bagagens e sem casa.
Ahhhhhhhhh! Desespero!
Pensámos em telefonar para o 112, mas não iria resolver nada. Pensámos em dormir numa pensão, mas os florins eram poucos (ainda não tínhamos o Euro). De repente lembrei-me que tinha o contacto da casa que eu iria partilhar com holandeses… e ligámos. Do outro lado da linha, depois de eu me apresentar no meu inglês enferrujado, responde-me uma voz: “Pode falar português, eu percebo, minha mãe é brasileira”. A salvação desceu do céu em sotaque brasileiro, juntamente com as indicações para chegar à minha casa, toalhas e roupa de cama emprestadas e um sorriso que nos encheu de esperança. A aventura tinha acabado de começar.

Foi aí que aprendi a apreciar as coincidências. Foi aí que aprendi que todas as peripécias nos ajudam a crescer e a resolver problemas, no momento ou no futuro. A primeira janela para o mundo tinha acabado de se abrir, depois do esforço inicial...

Ah, é verdade; no dia seguinte, depois de recuperarmos as bagagens, seguimos para a casa da minha amiga, a horrorosa casa em U invertido que tínhamos avistado no dia anterior… Acabou por ser um óptimo abrigo e um bom local para festas temáticas. Cambridgelaan 241 foi um verdadeiro sucesso.

Obrigada Bernardete, por todas estas aventuras que temos partilhado!

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