Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

10 de Fevereiro de 2009 – Osama e outras partes da história

Ao pesquisar na net as actividades culturais existentes em Ispra, deparei-me com uma sessão de cinema alternativo, organizado pelo clube “Donne de l’Europa”. Eu percebi logo que era um clube dirigido por mulheres, mas quando o Biagio viu que era o único homem na sala, ficou preocupado… e eu também, a pensar porque raio tinham posto o anúncio na internet se era reservado só ao clube, até que apareceu mais um corajoso. No final do filme, começou o suposto debate, mas também para mim eram demasiadas mulheres na mesma sala, daquelas que interrompem as outras quando se querem fazer ouvir. Saímos antes de acabar. Apesar disso, o filme valeu a pena. “Osama” conta a história de uma menina afegã de 12 anos que é obrigada a disfarçar-se de rapaz para ganhar o sustento da casa, composta por ela, pela mãe e pela avó (os homens morreram nas guerras), na altura em que os Taliban estavam no poder. O filme começa com uma frase de Nelson Mandela: “Posso perdoar, mas não posso esquecer”. E há tanto que perdoar! Osama arranja trabalho numa loja perto de casa mas entretanto é levada juntamente com os outros rapazes para a escola, onde aprendem o Alcorão, têm treino militar e aprendem outras lições de comportamento. Os outros rapazes desconfiam que ela é uma rapariga e, apesar de ela ser ajudada por um miúdo órfão e mendigo que sabia desde o início quem ela era, acaba por ser apanhada, é castigada e presa. Num tribunal de homens que pregam a justiça que lhes convém, enterram até ao pescoço e atiram pedras a uma suposta mulher adúltera, matam um jornalista estrangeiro e perdoam Osama… um perdão que vem com um casamento forçado.

O filme acaba sem um vislumbre de esperança e com aquela ideia na cabeça “Mas como é que isto é possível acontecer?”. Aconteceu, não há muito tempo, ainda acontece nalguns cantos do mundo. E eu sou testemunha, distante, mas ainda assim consciente.
Relembro agora os pedaços da História que eu tenho tido a possibilidade de viver, mesmo sendo só espectadora. Lembro-me da libertação de Nelson Mandela e da primeira vez que pesquisei o significado de “Apartheid”. Lembro-me do massacre no cemitério de Díli, do carismático Xanana Gusmão e do nascimento de Timor Lorosae. Lembro-me da queda das Torres Gémeas, a que assisti em directo pela televisão, do ataque à discoteca em Jacarta. Lembro-me de Yasser Arafat, da Guerra do Golfo, dos rockets a cair em Israel e das tropas israelitas na Faixa de Gaza. Lembro-me da entrada de Portugal na CEE (havia até uma música alusiva a isso) e da entrada do Euro. Lembro-me da Guerra no Iraque sob o pretexto das armas de destruição massiva. Assisti em directo à eleição do primeiro presidente americano preto, Barack Obama. Lembro-me da mediatização das Alterações Climáticas e da introdução do “Desenvolvimento Sustentável”. Assisti ao desenvolvimento acelerado dos computadores, dos telemóveis e dos automóveis. Em 30 anos de vida, tive que ganhar a capacidade de me adaptar constantemente e aprender a assimilar tão grandes acontecimentos. Eu e todos os outros que fazemos parte da história da Humanidade.

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