Uma direcção. As horas a passar. O nascer-do-sol. Uma árvore frondosa. Um sorriso espontâneo. Uma janela aberta para ver o mundo girar.
Não só ver. Participar. Contribuir. Girar com ele. Porque o mundo não pára e a vida também não.

A direction. The sunrise over the ocean. A leafy tree. A spontaneous smile. An open window to see the world turning. Not just see.
To participate. To contribute. To turn in the same direction. Because the world keeps turning and so does life.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cosi d'Italia...

Passamos a nossa vida inteira a ouvir dizer que os europeus do sul, os latinos, são muito parecidos. Que entre espanhóis, italianos e portugueses, "venha o diabo e escolha" (no bom sentido). É verdade, se compararmos esta parte do mundo - o Sul da Europa - com o Norte do continente. Há coisas que distinguem os latinos dos restantes europeus, e passo a apontar apenas algumas: os atrasos, a condução, a fala expressiva, o gosto pelas danças ritmadas (e o jeito natural para dançar), a alegria de poder celebrar pela mínima razão... lembro-me de uma situação embaraçosa na Holanda, esse país de diferentes costumes onde vivi já lá vão 9 anos. Num dia frio de Outono, depois de uma viagem curta de bicicleta desde a minha casa, chego à porta da sala de aula (que ia ter pela primeira vez) 3 minutos depois da hora marcada. A porta estava fechada, coisa a que não estava habituada em Coimbra, onde se pratica o benevolente "quarto-de-hora académico". Bati à porta, entrei e o professor, sem saber quem eu era, disse automaticamente "Ola", porque para chegar atrasada, ou era espanhola ou era portuguesa, e "Ola" serve para ambos. Devo ter corado nesse momento, ao aperceber-me que a indisciplina associada à minha cultura me perseguia, e segui para a mesa do fundo calada que nem um rato. 2 minutos depois chegou o meu colega espanhol... um outro "Ola" irrompeu pela sala, mostrando que não se pode confiar nos latinos para chegar à hora marcada.

Não obstante estas semelhanças, que ao fim e ao cabo são muito engraçadas e das quais me acabo por orgulhar, as diferenças começam a notar-se quando partilhamos o dia-a-dia. São tantas as diferenças que às vezes parecem autênticos abismos. A comida é um deles; aqui não se come massa com mais qualquer coisa. Se queres comer massa, tudo bem, mas num "piato solo" e antes de tudo o resto. O acompanhamento para o "piato principale" (carne ou peixe) é facultativo, só pedes se quiseres (e pagas à parte). Não é de estranhar, depois de ter comido um prato de massa não é preciso comer muito mais. E os alimentos estranhos que nos aparecem... radicio (uma alface roxa e amarga), carciofo (alcachofra - este até conhecemos) ou finocchio (funcho), um vegetal de corpo branco e redondo com camadas como a cebola. Só me lembrava dos rebuçados de funcho que se encontram na Madeira, reconheci-o através do cheiro característico. E provei cru e em Minestrone (sopa) pela primeira vez. Já que estou na Itália, que me torne pelo menos um bocadinho italiana.

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